sábado, 25 de setembro de 2010
A MÍDIA COMERCIAL EM GUERRA CONTRA LULA E DILMA
segunda-feira, 10 de maio de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
EDSON NÉRIS É CADA UM DE NÓS - Por Márcio Retamero
No dia 06 de fevereiro de 2000, há dez anos, um homossexual chamado Edson Néris da Silva foi brutalmente assassinado por uma gangue de skinheads na Praça da República, centro de São Paulo. O motivo? Passava pela praça de mãos dadas com seu namorado Dario Pereira Netto. Bastou isso para que um bando de mais de trinta "carecas" voasse em cima dos dois munidos de correntes, soco inglês, chutes e pontapés. Dario conseguiu fugir, mas Edson foi espancado até a morte.Um vendedor ambulante que estava no local e presenciou tudo, foi o ser humano que agiu como o "bom samaritano" da parábola dos Evangelhos. Seguiu o grupo até um bar no bairro do Bexiga, onde tranquilamente tomariam cervejas, provavelmente comemorando o ato. Ele telefonou para a polícia, que cercou o bar, prendendo cerca de vinte dos integrantes do grupo "Carecas do ABC". Desses vinte, apenas três foram condenados, dois deles a vinte e um anos de prisão; dez anos depois todos estão soltos.
O promotor, Dr. Marcelo Milani, que ofereceu denúncia contra os três réus foi considerado, por muitos, um herói na época. Durante todo o processo ele conduziu o crime praticado pelos carecas como um crime de ódio, tipologia criminal inexistente no Brasil. É dele a frase que ficou famosa: "Se os carecas podem andar pelas ruas com suas camisetas, botas, anéis que os identificam como neonazistas, os homossexuais também podem andar de mãos dadas". Não tenho dúvidas: não fosse a linha de acusação que o Dr. Milani tomou, este caso seria mais um impune no nosso país.
O crime correu nas manchetes de jornal, revistas (a revista Época ganhou um prêmio de uma importante ONG LGBT pela cobertura do caso) e órgãos internacionais de Direitos Humanos acompanharam de perto e com atenção o caso, tudo isso devido ao intenso trabalho da militância do Movimento Homossexual Brasileiro (MHB). De Norte a sul do Brasil discutia-se questões como orientação sexual, direito das minorias e a palavra homofobia entrou para o dia-a-dia dos meios de comunicação e no linguajar político da militância.
Dias após o crime, um grupo de quinhentas pessoas se reuniu na Praça da República para uma vigília em memória de Edson Néris; contudo, um grupo bem maior de homossexuais a poucos metros dali, na Av. Vieira de Carvalho, levava a vida como se nada tivesse acontecido, curtiam a noite com gargalhadas e cervejas e se recusaram a participar do ato, segundo denúncia do nosso premiado escritor João Silvério Trevisan em artigo escrito naquele contexto. Neste artigo contundente em que denunciava também o oportunismo e as divisões dos grupos da militância LGBT numa disputa que Trevisan chamou de "inflação fálica", o autor afirmava: "Edson Néris é cada um de nós".
Dois anos antes do assassinato brutal do nosso adestrador de cães (essa era a profissão do Edson) no dia 12 de outubro de 1998, falecia no Hospital Proude Valley, no estado do Wyoming, EUA, o estudante universitário Matthew Shepard (foto à direita). Matthew foi torturado e espancado por dois jovens. Motivo? Era gay, tal como o nosso Edson Néris.

Poucas são as diferenças entre Shepard e Néris: econômica, social, geográfica. Muitas as semelhanças: ambos eram cristãos; o americano era evangélico e Néris era mórmom; ambos gays e ambos foram assassinados por serem homossexuais. As consequências da morte traumática de ambos abrem um imenso abismo entre os dois: o americano, além de milhares de sites em sua memória, fundações em defesa dos direitos humanos LGBT, memoriais erguidos que recordam à sociedade o que aconteceu para que não se repita o mesmo ato hediondo, três filmes e uma lei com seu nome, o "Matthew Shepard's Act", assinada em outubro de 2009 pelo presidente Barack Obama. A lei, inédita nos EUA, ciminaliza a homofobia.
Do lado de baixo do Globo, Edson Néris não ganhou nenhum site em sua homenagem (busquei sem sucesso no Google); nenhum memorial, por mais que Ricardo Agueiras tente até hoje, foi erguido; nenhum filme, nem sequer um documentário... Sim, existe o Instituto Edson Néris, mas você que é LGBT e que não faz parte da militância, sabia dessa informação ou sabe quais são as atividades do IEN? Por que ainda não temos um memorial ao Edson, conforme noticiado aos quatro ventos na primeira Conferência Nacional LGBT? O mármore rosa já foi garantido pelo Grupo Gay da Bahía, Estado de origem da família do Edson. Por que ainda não foi construído? Por que a Câmara de Vereadores de SP ou a Prefeitura de SP ou o Governo do Estado de SP nada fizeram até hoje em homenagem ao Edson? Nem mesmo a Lei 10.948/01, que trata da penalização por atos homofóbicos no Estado de SP, leva o nome da vítima assassinada no mais emblemático caso de crime de ódio praticado nesse Estado!
Nos EUA, onze anos depois do assassinato de Matthew Shepard, o presidente Barack Obama assinou a lei que criminaliza a homofobia. No Brasil, dez anos depois do assassinato de Edson Néris, o PLC 122/06 continua parado no Senado pelo vergonhoso trabalho dos senadores evangélicos. Magno Malta mais uma vez conseguiu adiar a votação do PLC 122/06 na Comissão, convocando audiência pública para "debater" o tema da matéria, convidando para isso, um dos maiores inimigos da comunidade LGBT brasileira, o Pastor Silas Malafaia! Isso é um deboche! Um absurdo!
Parte da militância LGBT diz que jamais vivemos um período político como o atual. O Governo Federal, dizem alguns, é o governo mais pró-LGBT que já tivemos em nossa história - e isso não é de todo uma inverdade - mas eu pergunto: este governo que já conseguiu tantas vitórias no Legislativo em suas matérias de interesse; este governo que já foi acusado de passar como um "rolo compressor" na oposição no Congresso Nacional; este governo que elaborou o Programa Brasil sem Homofobia; por que ainda não conseguiu, com seus aliados, passar o PLC 122/06? Sim, porque eu só vejo e ouço os senadores Magno Malta e Marcelo Crivella trabalharem contra e conseguindo parar as votações! Somente os dois têm tanto poder assim? Detalhe: Crivella é o candidato do Lula ao Senado no Rio de Janeiro! Pode isso no governo mais pro-LGBT que o Brasil já conheceu?
Na real, falta é interesse e trabalho com afinco! Faço minhas as palavras de João Silvério Trevisan e pergunto: "Quantos 'Edsons' ainda terão que morrer até tomarmos consciência de quem somos e lutarmos por nosso amor?"
* Márcio Retamero, 35 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói,RJ. É Pastor da Comunidade Betel do Rio de Janeiro - uma Igreja Protestante Reformada e Inclusiva, desde o ano de 2006. É, também, militante pela inclusão LGBT na Igreja Cristã e pelos Direitos Humanos. Conferencista sobre Teologia, Reforma Protestante, Inquisição, Igreja Inclusiva e Homofobia Cristã. Seu e-mail é: revretamero@betelrj.com.
** O artigo foi extraído, com autorizaçao do autor, da Revista A Capa - 11/02/10: http://acapa.virgula.uol.com.br/site/noticia.asp?codigo=10284
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
CIDADANIA = PARTICIPAÇÃO

A tradução disso é óbvia - e mais uma vez mostra como estamos longe de uma democracia mais participativa. Se os indivíduos, mesmo os mais escolarizados, desconhecem o nome do ministro, certamente acompanham ainda menos sua atuação. Se o cidadão não sabe citar o nome de um deputado ou senador, é indicativo de que esqueceu em quem votou." (Retirado de noticias.bol.uol.com.br, 18/01/2010).
É verdade que somos induzidos a não participar, a ver a política institucional como "lama", a "lavarmos as mãos", a pensar que todos os políticos são iguais pelos próprios políticos e Partidos e pela mídia mais poderosa. Dessa forma, não nos preocupamos em ser criteriosos nas escolhas e muito menos em acompanhar, fiscalizar, cobrar. E em não reeleger um político que decepcionou.
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores.
Nada é impossível de mudar:
desconfiem do mais trivial, na aparência singelo, e examinem, sobretudo, o que parece normal.
Suplicamos expressamente:
não aceitem o que é habitual como coisa natural, pois em tempos de desordem sangrenta, de confusão generalizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar."
sábado, 16 de janeiro de 2010
JAIME

e os que ensinam a muitos a justiça,
brilharão como as estrelas, por toda a eternidade.
(Dn 12,3)
1970. Mudanças de valores nas sociedades ocidentais. Afirmação da juventude. "Movimento" hypie. Renovação na Igreja Católica. Guerras e engajamentos pela Paz.
América Latina: lutas de libertação e pela construção do socialismo. Sanguinárias ditaduras militares, apoiadas pelos Estados Unidos. Comprometimento político mais progressista da Igreja Católica - a Teologia da Libertação - as Comunidades Eclesiais de Base.
Brasil: a fase mais feroz da ditadura civil-militar. A Igreja Católica e as Igrejas Reformadas históricas e outras como a Metodista vão se tornando a grande força de enfretamento à ditadura e passando a caminhar com o povo, preferencialmente em suas camadas mais pobres. As revelações dos Festivais da Canção: Chico Buarque, Geraldo Vandré, Milton Nascimento, Elis Regina...
No município de São Gonçalo, no bairro da Venda da Cruz, no alto do Morro do Sabão, havia a pequena capela de Nossa Senhora de Fátima (99 degraus altos, da baixada até a igrejinha). Para lá o Bispo mandou um padre que considerava incômodo, pra se ver livre. Mas logo o povo do morro começou a participar, o povo da baixada começou a subir e se organizou a "Comunidade Missionária Nossa Senhora de Fátima da Venda da Cruz", conhecida por não vender sacramentos (nenhum sacramento era cobrado), por sua pastoral com jovens e crianças e pelas velhas boas de trabalho. E pela liturgia participativa, mais engajada na vida. E, sobretudo, pela pobreza: só entrava a grana necessária para assegurar os trabalhos. Nunca sobrou... Nem faltou!
Havia um grupo de jovens, o Juvenil. E também alguns jovens engajados que não participavam do Juvenil. Os jovens independentes coordenavam a vitrine da Comunidade: a Missa dos Jovens, onde se faziam as experiências litúrgicas mais avançadas e politizadas. Como não tinham nenhuma estrutura formal para engessá-los, eram mais ágeis, autônomos na formação e com trânsito mais livre na juventude que não participava da Igreja. Assim, foram crescendo e ficando conhecidos como "a Turma".
Num domingo 10 de dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos - na Missa dos Jovens que desenvolvia esse tema - Jaime apareceu. A partir daí foi chegando, devagar, se aproximou da Darli, da Leila e, via elas, se enturmou.
Era de Sergipe, único homem entre muitas irmãs, foi o último a vir pro Rio de Janeiro pra estudar e conseguir trabalho melhor. Em Sergipe ficaram apenas os pais e a irmã mais nova. Estudava na Universidade Rural. Tinha o olhar e o sorriso (permanente no seu rosto) marcantemente sinceros, verdadeiros, francos. Uma grande lealdade e solidariedade. Também marcante o seu senso de humor. Bom observador, tinha um apelido bem humorado para cada um, sempre a partir de uma característica da pessoa. Era tímido, mas logo se tornou uma das principais lideranças da turma. Para "conferir" o nosso discurso, leu a Bíblia inteira em poucos meses. Era de formação marxista. O Evangelho de Jesus de Nazaré tornou-se norte de sua vida e inspirador do seu compromisso com os pobres e todos os marginalizados, numa perspectiva libertadora e não-violenta. Estava sempre indicando ou emprestando um livro a alguém, recomendando uma peça de teatro ou um filme. Era especialista em falar a linguagem do outro.
Após dois anos na Venda Cruz, foi aprovado num concurso da Caixa Econômica e mandado para Porto Alegre. Lá continou o engajamento na Igreja entre os jovens. Dois anos depois, voltou.
Ficou mais dois anos e se transferiu para Brasília. Ali começou a atuar junto às prostitutas.
Tendo como companheira uma das meninas da zona que conheceu em Brasília, foi para Unaí, sudoeste de Minas. Ali nasceu seu primeiro filho. Mais tarde, separado, retornou a Sergipe, com o filho, onde constituiu nova família e teve mais três filhos.
Jaime escreveu e publicou poesias, nas quais os excluídos são personagens recorrentes. Tornou-se uma grande liderança sindical entre os bancários no Nordeste, manteve a militância na Igreja.
A partir de sua volta para Sergipe, perdemos o contato. Mas sempre permaneceu o meu melhor Amigo.
Em março do ano passado encontrei com uma de suas irmãs e recebi a noticia da morte (prefiro dizer "Páscoa") de Jaime, por complicações cardíacas, ocorrida em 16 de janeiro, aos 58 anos.
Hoje, 1 ano de sua Páscoa, a saudade fica mais à flor da pele, mas o sentimento de sua Presença querida também. E decidi compartilhar isso com vocês, essa Memória que nos empurra para frente, para a revisão e aprofundamento das coisas nas quais acreditamos e esperamos, como homenagem ao Jaime Norberto (da Silva, como tantos e tantos brasileiros). E como demonstração de que existem por aí, felizmente, pessoas de diferentes idades que se incomodam com a injustiça, a miséria e outras mazelas do mundo humano, pessoas que não ficam reclamando mas se engajam, se comprometem, se solidarizam e começam a Nova Sociedade justa, fraterna partindo delas mesmas. Nada do que disse Jaime deixou de viver pessoalmente. Isso lhe assegurou autoridade e credibilidade. Sua Memória é uma das memórias fundamentais nestes tempos de euforia consumista confundida com felicidade, de extremado individualismo e alienação de indivíduos e instituições.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
NICAN MOPOHUA

sábado, 2 de janeiro de 2010
PARA TODOS

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
DANÇANDO A PAZ E A FRATERNIDADE...
ASSIM EM 2009,
MAS PODEMOS AGIR PARA QUE COMECE A SER ASSIM EM 2010:
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
NATAL: UM DEUS SOLIDÁRIO

(ATENÇÃO: para assistir ao vídeo desligue a Música no rodapé do Blog)
* Música: "El Nacimiento" (Ariel Ramírez-Felix Luna) Mercedes Soza - CD "MISA CRIOLLA / mercedes sosa":
Noche anunciada, noche de amor,
Dios ha nacido, pétalo y flor,
todo es silencio y serenidad,
paz a los hombres, es Navidad
En el pesebre mi redentor
es mensajero de paz y amor
cuando sonrie se hace la luz
y en sus bracitos crece una cruz.
Angeles canten sobre el portal
Dios ha nacido, es Navidad.
Esta és la noche que prometió
Dios a los hombres y ya llegó
es Nochebuena, no hay que dormir,
Dios ha nacido, Dios esta aqui.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
A MÍDIA MANIQUEÍSTA E A IMAGEM DO MST
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A AGÊNCIA ESTADO (do Grupo do jornal O Estado de São Paulo, da família Mesquita) divulgou ontem pesquisa feita pelo Ibope sob encomenda da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre "a imagem do MST". Na verdade trata-se de uma pesquisa de verificação de resultados da permanente campanha de difamação e distorção do MST feita pelas 6 ou 7 famílias que controlam a grande mídia no país, a serviço do agronegócio.
Segundo a pesquisa, que entrevistou 2000 pessoas, 92% dos entrevistados consideram as ocupações ilegais; 64% não tem simpatia pela causa do Movimento; 90% considera que o MST deve lutar pela reforma agrária "sem violência ou 'invasão' de terras"; 85% acha o direito à propriedade privada essencial ao país; 77% entende que quem possui uma propriedade tem o direito de escolher se quer ou não produzir nela. Para 58% dos consultados "o movimento é legítimo porque são trabalhadores querendo terra para trabalhar e morar, mas que não têm condições de pagar por ela".
A pesquisa diz ainda "que o poder público deve utilizar a polícia para cumprir ordens judiciais de retirada dos invasores, mas 69% condena a ação armada dos proprietários de fazendas e 61% entende que o judiciário é o melhor caminho "para resolver a questão das ocupações ilegais". Já 57% dos ouvidos está de acordo com os objetivos do movimento "mas acham que ele está se desviando do seu foco". Os objetivos citados pelos pesquisadores foram três: luta pela terra para produção agrícola, luta pela distribuição de terra aos que não possuem moradia e luta por uma sociedade mais justa e igualitária.
Quanto ao financiamento do MST, 56% dos entrevistados "acredita que o movimento recebe recursos públicos federais". "Um grupo de 82% apoia a CPI para investigar o movimento".
Segundo um resumo da CNA, "69% dos entrevistados ligam o movimento a invasões, 53% a atos de violência, 38% à luta por direito, 32% à reforma agrária e 26% à desobediência. E 54% atribuem os conflitos no campo ao MST".
Os grandes empresários "donos" de meios de comunicação (mídia impressa, televisiva, etc...) insistem em mostrar permanente e exclusivamente uma imagem negativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nos noticiários o Movimento aparece sempre no bloco do crime ("organizado" ou não): tráfico de drogas, assaltos e por aí vai. Há muito tempo está em vigor uma verdadeira campanha de criminalização dos movimentos sociais, na linha de que, desse lado está o mal e do lado da elite econômica e dos cidadãos obedientes e "bem-comportados" está o bem.
Em matéria de imparcialidade o Ibope já mostrou não ser confiável (sabe muito bem como induzir respostas), mas considerando os dados divulgados, concluiríamos que o objetivo dos latifundiários e empresários do agronegócio estaria sendo alcançado: destruir, através da desinformação e da manipulação dos fatos noticiados, a simpatia e a solidariedade da população ao MST.
Nota-se que a "grande mídia" jamais informa que boa parte das gigantescas fazendas deste país são terras griladas, que o agronegócio derruba florestas para plantar soja (que os brasileiros não consomem) e criar gado, que famílias "proprietárias" de meios de comunicação são donas de grandes extensões de terra e estes, sim, são os verdadeiros responsáveis pela violência no campo.
Os meios de comunicação (à excessão da TV pública) jamais mostraram os projetos bem sucedidos do MST na área das cooperativas agrícolas, da agricultura sem agrotóxicos, da educação, da cultura e no resgate de valores como relações de produção mais justas e socializadas, solidariedade, direitos humanos etc...
A "grande mídia" cobra muito liberdade de imprensa, mas nessa "liberdade" não está incluido nosso direito à informação plena e imparcial; liberdade de imprensa, para ela, é informar o que quer, quando quer e como quer. A sociedade precisa reagir a essa ditadura de 6 ou 7 famílias que tentam nos fazer deixar de pensar, perder o senso crítico e jamais nos organizarmos contra os valores de um capitalismo cada vez mais individualista e excludente. Mandar um email para um órgão de imprensa cada vez que percebermos a manipulação da informação já é uma forma de reação, pequena, mas pode-se começar por aí.
* A 1ª foto superior chama-se "Nova Geração" e é do fotógrafo Daniel Zanini H.
** A 2ª foto superior chama-se "Camponesa" e é também de Daniel Zanini H. Para ver outras fotos de Daniel Zanini H: http://www.flickr.com/photos/zanini/
+ Para conhecer o outro lado da história: www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/04/351716.shtml http://www.mst.org.br/image/tid http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=21582 http://www.youtube.com/watch?v=y6lHWbhvFes http://www.sjsc.org.br/noticias_det.asp?cod_noticia=903 http://psolsp.org.br/?p=3017
sábado, 12 de dezembro de 2009
TLECUANTLAPCUPEUH

Morena de Guadalupe,
Maria do Tepeyac,
congrega todos os povos
na estrela do teu olhar.
(D. Pedro Casaldáliga)
Nesta data os cristãos católicos de tradição romana e os das tradições ortodoxas celebram a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe dos povos da América Latina e Protetora dos Direitos Humanos.
A história começa no México, em 1531. Os espanhóis, à custa de muito sangue e terror, tinham se apoderado das terras do povo Asteca, destruído boa parte de seus templos e os mantinham praticamente escravizados. As revoltas dos Astecas eram frequentes. Apesar disso, um certo número de astecas havia se convertido à religião dos dominadores.
Um desses convertidos, chamado a partir do batismo de Juan Diego, em 9 de dezembro de 1531, dirigia-se, cedo, a Tlatelolco (Cidade do México). No caminho, ouviu cantar no alto da pequena colina do Tepeyc a melodia de diversos pássaros, na direção de onde sai o sol. Ouviu que o chamavam de lá. Subindo à colina deparou-se com uma belíssima mulher asteca, "sua roupa parecia o sol e lançava raios". "Inclinou-se diante dela, ouviu seu pensamento e sua palavra sumamente recriadora, muito enobrecedora, como algo que atrai e procura amor".
"Então ela conversou com ele e lhe revelou sua preciosa vontade. Disse-lhe: 'Sabe e guarda seguro em teu coração, filho meu o mais desamparado, que eu sou a sempre Virgem, Santa Maria, Mãe do Deus de Grande Verdade, Teótl, Daquele por quem vivemos, do Criador de Pessoas, do Dono de tudo o que está Próximo e Longe, do Senhor do Céu e da Terra. Quero muito e desejo vivamente que neste lugar construam minha casa. Nela mostrarei e darei às gentes todo o meu amor, minha compaixão, minha ajuda e minha defesa. Porque eu sou a Mãe Misericordiosa, tua e de todas as nações que vivem nessa terra, que me amem, que me falem, me busquem e em mim confiem. Ali hei de ouvir seus lamentos e prover remédio e curar todas as sua misérias, penas e dores'".
Atendendo ao pedido dela, Juan Diego procura o Bispo, D. Zumárraga, que não lhe dá crédito. Num segundo encontro com a Senhora no Tepeyac, ela pede a Juan Diego que volte ao Bispo e insista. O Bispo continua não lhe dando crédito e, para se ver livre, pede uma prova. Informada da exigência de Zumárraga, a Virgem promete ao índio que lhe dará a prova para o Bispo no dia seguinte, 12 de dezembro.
Era inverno e o Tepeyac estava coberto de neve. Mesmo assim, ao chegar ao topo da colina no dia marcado, Juan Diego a encontra coberta de roseiras floridas, rosas de Castela. A Senhora, que mais tarde vai se identificar como Tlecuantlapcupeuh ("Que vem da luz, como a águia vem do fogo"), diz-lhe para colher as rosas. Ela mesma as arruma na manta do índio e ordena-lhe que as leve ao Bispo, pois desta vez ele acreditará.
Zumárraga estava com visitas e escravos na sala quando Juan Diego chegou. Depois de muita demora, vendo que o índio não iria embora enquanto não fosse recebido, atendeu-o. Juan Diego abre diante do Bispo a manta deixando cair as flores enquanto o bispo e os presentes se ajoelham terrivelmente espantados. Ali, diante deles, na manta desenrrolada do índio começou a aparecer a imagem da Mulher da qual o índio se dizia mensageiro. Isto, e não as rosas, era a prova!
Zumárraga mandou construir a ermida no monte Tepeyac. Lá manteve exposta a manta com o ícone de Tlecuantlapcupeuh, que ele chamou de Guadalupe, pois a sonoridade do nome na lingua asteca - náhuatl - era semelhante ao nome de uma imagem negra da Virgem, venerada na Espanha.
Durante muito tempo milhares de astecas realizaram romarias diárias ao monte Tepeyac, pois entendiam que a deusa Coatlicue, a Terra-Mãe, carinhosamente chamada de Tonantzin, havia retornado ao seu templo no alto da colina - que Zumárraga mandara destruir assim que chegou ao México.
O ícone estampado na manta é de uma mulher asteca, vestida com as cores da família imperial asteca - turquesa e rosa-salmão -, com o manto estampado de estrelas e tendo o sol atrás de si. A mulher está grávida, conforme indica o laço abaixo do seio, usado pelas mulheres astecas durante a gestação. Chama a atenção a suavidade, a infinita serenidade e cordialidade da expressão.
A história da Virgem de Guadalupe está contada num texto em idioma náhuatl escrito poucos anos depois das aparições por um frade asteca, que teria ouvido o relato do próprio Juan Diego, chamado NICAN MOPOHUA ("Aqui se narra, em ordem..."). É uma obra-prima de poesia. Os textos acima entre aspas são desse relato.
O Ícone encontra-se exposto na Basílica de Guadalupe, no México, admiravelmente conservado. Sem qualquer tratamento, o tecido não apodreceu e a imagem resistiu a quase 5 séculos de exposição à chuva nas procissões, à fumaça incessante de velas dos milhares de devotos, ao ácido nítrico derramado por descuido durante uma limpeza, a uma bomba que explodiu diante do altar em frente ao ícone em 1921, durante um atentado: tudo ao redor ficou destruído - inclusive o grande crucifixo de bronze ficou inteiramente retorcido. Um estudo realizado pela NASA não encontrou marcas de pincéis na figura e constatou que o material da "tinta", não é de origem mineral ou vegetal ou de qualquer produto químico conhecido. O ícone de Guadalupe permanece um enigma.
A veneração em torno da Virgem de Guadalupe inspirou lutas de libertação do povo asteca e, no séc. XX, nas décadas de 70 e 80, alimentou a espiritualidade libertadora das Comunidades de Base na América Latina. Foi dessa forma que a devoção começou a se popularizar no Brasil.
* Para conhecer o relato completo do NICAN MOPOHUA acesse o link:
http://www.4shared.com/file/196071773/669af0cf/NICAN_MOPOHUA.html
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009





